Revista Eletrônica



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A fascinação pelo Corpo de Bombeiros em ação é um sentimento universal. Qual é a criança que não arregala os olhos, maravilhada, quando vê passar aquele mitológico caminhão com a sirene aberta, os soldados nos seus postos e toda aquela parafernália a caminho de uma missão? O adulto disfarça um pouco, mas fica maravilhado também, a visão desperta a criança que existe nele.
O caminhão dos Bombeiros, ah, o caminhão dos Bombeiros! Imenso, com todos aqueles equipamentos complicados, cordas, alavancas, roldanas, cabos, mangueiras, válvulas, e tudo impecavelmente polido e brilhante, o vermelho e os metais – é a escada Magirus!
Os Bombeiros foram, e continuam sendo, heróis da infância de todas as gerações que conhecemos.
E isso em toda parte.
Em Brasília, falar mal dos Bombeiros equivale a xingar a mãe e o JK ao mesmo tempo; o brasiliense se enfurece. O povo de lá reverencia a memória de um herói, o sargento bombeiro Sílvio Hollembach, que em 1977 estava de folga com a família no zoológico e viu um menino de 13 anos cair no tanque das ariranhas. Sem hesitar, ele pulou lá dentro, atraiu para si o bando de ariranhas ferozes e lutou com elas, salvou a criança, mas não a própria vida. O zoológico de Brasília tem o nome dele e sua memória é honrada pela população.
Mesma coisa no Rio Grande do Sul. Falar mal dos Bombeiros na frente de um gaúcho é o mesmo que xingar a mãe dele e o Bento Gonçalves juntos. São muitos os heróis da Brigada de Bombeiros. O mais recente é o soldado Valmir Bezerra de Jesus, que em abril passado estava em missão de resgate de soterrados em um silo, inalou substâncias tóxicas, mas não parou enquanto não salvou todos. Depois da última vítima resgatada, ele desmaiou e não acordou mais.
E em Nova York? Lá eles são venerados. Depois daquele 11 de setembro, se você quiser falar mal dos Bombeiros em Nova York, vá para um banheiro, tranque a porta, apague a luz, feche os olhos e fale – aliás, sussurre – e assuma o risco de alguém estar gravando e você passar o resto da vida em Guantánamo.
No Brasil, as imagens mais impressionantes de ação dos Bombeiros são de grandes centros urbanos onde arranha-céus pegaram fogo. No Rio de Janeiro, o célebre incêndio do edifício A Noite, nos anos 50, tem episódios de heroísmo até hoje lembrados pela população. Em São Paulo, nos incêndios dos edifícios Joelma e Andraus, a coragem desses profissionais comoveu o país.
(Aliás, no Rio de Janeiro, de uns anos para cá, os Bombeiros têm um herói diferente. Um combatente que se destacou por suas gloriosas proezas a bordo de um avião. O avião, no caso, era a Luma de Oliveira e o combatente um certo capitão Albucacys, que conseguiu superar, ao mesmo tempo, a concorrência de milhões de marmanjos invejosos e os bilhões do ex-dela, Eike Batista, o que não é para qualquer um. Do Albucacys para cá – ou da Luma para cá – os Bombeiros do Rio tiveram um upgrade: além da admiração popular, passaram a ser também objeto de desejo da mulherada, talvez pela associação lúdica, no imaginário feminino, do bombeiro com seus instrumentos de trabalho, essas coisas de mangueira, jato e, quem sabe, até o hidrante… Mas isso não diminuiu em nada o respeito e o carinho da população por eles. Que o diga o governador Sérgio Cabral, que este ano teve a idéia de jerico de prender mais de 400 bombeiros por causa de protestos salariais e, diante da reação irada da população, anistiou-os todos.)
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Tudo isso é para dizer que, aqui em Alagoas, o nosso Corpo de Bombeiros passou recentemente por um período que nada tem a ver com sua história e com a imagem de bravura que a sociedade guarda da corporação.
A imagem que deve ser preservada e honrada, porque verdadeira, é a da dedicação ao trabalho, de enfrentar o perigo e arriscar a vida para salvar seja lá o que for, uma pessoa, um animal ou um prédio. É a imagem que eu mesmo vi, há uns anos, naquele grande incêndio do Bompreço da Buarque de Macedo: os Bombeiros lutando contra o fogo e contra as péssimas condições de seu equipamento. Vi bombeiros desesperados com as mangueiras esburacadas, tirando a própria camiseta e a enrolando na mangueira para tapar os furos e o jato d’água não perder força.
É a imagem humana, tantas vezes vista em épocas e lugares diferentes, de bombeiros chorando de emoção pela vitória depois de um salvamento dramático, ou chorando de frustração porque podem ter salvado cinqüenta pessoas, mas ficou faltando uma, e aquela única que não sobreviveu dói como se fosse a meia centena que eles salvaram.
O período desgastante que o Corpo de Bombeiros de Alagoas passou deve ser encarado como experiência do que não pode ser feito e como aprendizado a partir do erro.
Queremos, os alagoanos, continuar a ter orgulho dos nossos combatentes do salvamento.  Agora mesmo, na quarta-feira do desfile de Sete de Setembro, eles serão, como todo ano, o alvo principal do aplauso do público. Não precisam nem fazer demonstrações ou exibições, basta que desfilem com o garbo de sempre, com suas viaturas reluzentes e seu belo fardamento – a farda que não mete medo no povo – para que recebam as palmas de todos.
E que continuem inspirando o maravilhamento e o exemplo nos meninos (e agora também nas meninas) que sonham em ser bombeiros e bombeiras quando crescerem.

 

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